Tudo como era antes... – Gabriel Rech

Tudo como era antes...

O ano era 2008. Que belo ano para entrar no mercado financeiro como estagiário em um escritório de agentes autônomos de investimentos ligado ao Citi Group: justamente o ano da crise financeira global. Monitores piscando, gráficos, indicadores, médias para todos os lados. Mas, desde aquela época, eu já tinha uma preferência muito clara: quem eram aqueles caras do multimercado macro?

Como é que eles performavam na alta e na baixa, em qualquer direção? Os fundos tinham custódia bilionária, performance alta e nenhuma informação disponível. A curiosidade encontrou a autoaprendizagem. Em poucas pesquisas, já dava para ver que não era simples encontrar material sobre aquele grupo que, a cada dia, parecia mais seleto. Pareciam uma sociedade secreta de investimentos. Tocavam fundos bilionários, ganhavam dinheiro na alta e na baixa e nunca apareciam em palestras, cursos, vídeos.

Acho que esse tom de low profile, combinado com performance independente de mercado, me chamou mais atenção do que qualquer outra coisa. Desde então, me tornei um apaixonado por multimercado macro.

Nas pesquisas da época, dentro do pouco material disponível em inglês, me deparei com uma figura central e uma história maravilhosa: Stan Druckenmiller. Junto com seu mentor, George Soros, ele “quebrou” o Banco da Inglaterra em um movimento fantástico em que peças macro se encaixavam de forma quase perfeita. Aquele ataque à libra esterlina rendeu cerca de 1 bilhão em lucros em um único dia, no episódio que ficou conhecido como a Quarta‑feira Negra.

“O macro está de volta. Os bancos centrais não seguram mais todo o sistema — as forças fundamentais voltaram a importar.”
Stan Druckenmiller

Pesquisem a história depois. Este post não é sobre Druckenmiller nem sobre o Banco da Inglaterra, mas sobre como uma entrevista recente com ele recoloca o macro em posição central. Nessa entrevista, Druckenmiller diz que o macro vai voltar à moda. A conversa completa está aqui: Assista à entrevista completa.

Pode passar despercebido para quem não gosta de uma abordagem top down, macro global. Mas o que ele quer dizer é que, por muitos anos, tivemos movimentos macro atenuados por bancos centrais extremamente agressivos na impressão de moeda, na compra de ativos e em suavizar ciclos, reduzindo a volatilidade dos mercados para que o sistema não revivesse o trauma de 2008.

Quando ele diz que o macro volta à moda, está falando da análise macro voltando a se traduzir diretamente em formação de preços, algo que ficou anestesiado por muito tempo. Agora, volta a sensação – e a “moda” – de um mundo em que a engrenagem macro global se encaixa em ativos e situações que buscam preço, risco e retorno de forma mais genuína, como se espera de um mercado volátil e, em alguma medida, ineficiente.

Em outras palavras: é tempo de voltar a olhar para os fundamentos amplos, entender os choques, os ciclos e os fluxos globais. Porque, quando o macro volta, quem não estiver preparado apenas verá o preço se mover — sem entender o porquê.

Gabriel Rech