Tem tese que precisa de um cenário. E tem tese que precisa apenas de tempo.
A distinção parece sutil, mas define quase tudo na bolsa brasileira de 2026. O Copom cortou a Selic para 14,25% ao ano em junho, terceiro corte de 0,25 ponto no ano, e desde então endureceu o tom. O mercado já leu o recado: o Focus projeta a Selic terminando 2026 em 14%, ou seja, praticamente mais um corte e ponto final. A próxima reunião é em 5 de agosto. Juro alto, por mais tempo, exatamente no ano em que o país vota. Essas séries ficam lado a lado no módulo Macro da plataforma.
No meio disso, uma eleição. A leitura fácil do mercado é que tudo na B3 está esperando outubro para decidir para onde vai.
É exatamente essa leitura que quis testar nesta conversa.
A conversa
Chamei alguém que faz o caminho contrário do que a manchete sugere: em vez de tentar adivinhar o resultado da urna, procura empresas cujo resultado não dependa dela. E, no cenário desenhado acima, isso ganha um peso extra. Se o alívio monetário não vem, sobra o que a empresa consegue entregar sozinha.
Gustavo Maran é formado em Direito, com pós-graduação em Mercado Financeiro e MBA em Gestão do Mercado Financeiro. Passou os últimos anos estudando e aprofundando teses de investimento, com acertos relevantes no caminho. O foco dele está nas small caps, o pedaço da bolsa que mais sofre com juro alto e que, justamente por isso, é onde o desconto costuma ficar mais evidente.
A entrevista
Você acertou várias teses ao longo dos últimos anos. O que você está vendo agora?
Vejo um cenário bastante favorável, principalmente para as small caps, que estão a preços muito atrativos. Mesmo com a taxa de juros em patamar elevado, essas empresas vêm entregando uma geração de resultados e uma rentabilidade muito boa. Na minha carteira, de modo geral, elas têm performado muito bem.
Dessas empresas que você vem estudando, quais independem do resultado de uma eleição?
A maioria das que acompanho não é endividada. E as que têm dívida estão gerando um volume expressivo de caixa, o que permite reduzir o endividamento por conta própria, sem depender de ajuste fiscal ou de um cenário político específico.
Dois exemplos são o Banco Pine (PINE4) e a Eucatex (EUCA4). São teses que se sustentam pela própria geração de resultado, independentemente de quem esteja no governo.
E quais delas ficam muito melhores com um candidato ou outro? Quais precisam de juro baixo para multiplicar na bolsa?
Naturalmente, qualquer empresa listada passa a valer bem mais caso ocorra uma mudança de governo que aponte para o ajuste fiscal necessário, ou se a própria gestão atual implementar esse ajuste.
Guardei para o fim a parte da conversa que mais me chamou atenção.
Se aparecer qualquer mudança de cenário, uma virada nas pesquisas ou um ambiente externo mais favorável, acho que essas ações podem multiplicar por quatro ou cinco vezes. É um daqueles momentos raros em que dá para ganhar muito dinheiro na bolsa brasileira.
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Pedi que ele mesmo desse o endereço.
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